A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira confirma um cenário competitivo para a corrida presidencial de 2026: 71% dos eleitores dizem já ter decidido o voto, enquanto 29% admitem que a escolha ainda pode mudar. No cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente, com 37% das intenções, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 30%. Completam os nomes citados Augusto Cury, com 10%, e Renan Santos, com 3%.

O dado sobre definição do voto é central para interpretar a fotografia eleitoral: uma base de eleitores relativamente consolidada tende a reduzir a volatilidade das campanhas, mas os 29% de eleitores persuadíveis representam um contingente grande o suficiente para alterar rumos caso haja deslocamentos significativos. A convicção é maior entre os eleitores de Lula (80% dizem a escolha definitiva) e de Flávio (75%), o que dá uma vantagem de estabilidade aos dois nomes que lideram — mas não garante que o resultado esteja selado.

A conjuntura também precisa ser lida à luz de outros levantamentos recentes: enquanto o BTG/Nexus aponta empate técnico em cenários de segundo turno envolvendo Lula, Flávio e outros nomes, pesquisa Meio/Ideia assinalou Lula com 46% e Flávio com 41% em confronto direto. Ou seja, os diferentes recortes metodológicos mantêm uma tendência de competitividade no segundo turno, reforçando que a vantagem no primeiro turno ainda pode não se traduzir em fôlego definitivo para evitar uma disputa direta.

Do ponto de vista político, o resultado traz sinais contraditórios para governo e oposição. Para o time governista, a liderança atual oferece margem de manobra — mas não afastar a necessidade de intensidade na comunicação e execução de agenda com impacto concreto sobre eleitores mais voláteis. Para a oposição, a performance de Flávio Bolsonaro confirma viabilidade eleitoral, mas expõe o desafio de ampliar o apoio além da base já mobilizada: converter indecisos e reduzir a assimetria de convicção será determinante. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro; margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE BR-07065/2026. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo; a reportagem contou com auxílio de ferramenta de IA, sob supervisão editorial humana.