A pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14/8) apresenta um quadro apertado sobre a avaliação do governo Lula: 46% dos entrevistados dizem aprovar a gestão, enquanto 48% desaprovam; 6% não souberam ou não responderam. O empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos, traduz um ambiente de fragilidade política, em que qualquer oscilação pode ter impacto direto na narrativa eleitoral e na capacidade de governar nos próximos meses.
Além da avaliação direta, o levantamento mostra que 37% fazem uma avaliação negativa do governo, 36% positiva e 25% o consideram regular — um indicador de desgaste, já que a soma de avaliações ruins e regulares supera a aprovação plena. Quando questionados sobre a direção do país, 53% afirmam que o Brasil vai na direção errada, contra 38% que veem a direção certa. Esse diagnóstico amplia o desafio político do Planalto: a percepção predominante de retrocesso torna mais difícil vender resultados e receitas futuras ao eleitorado.
O recorte econômico também chama atenção. Segundo a pesquisa, 49% dos entrevistados avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses, apenas 19% entendem que melhorou e 30% dizem que ficou igual. Curiosamente, ao olhar para os próximos 12 meses, 42% acreditam em melhora, 28% preveem piora e 24% acham que tudo permanecerá como está — um misto de frustração recente com uma expectativa moderada de recuperação. Para um governo que pauta grande parte de sua legitimidade em políticas sociais e êxitos econômicos, a percepção negativa recente corrói margem de manobra e pode exigir respostas concretas e rápidas.
No campo eleitoral, o levantamento aponta Lula com 38% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Outros candidatos aparecem com percentuais muito inferiores. A vantagem estreita e a presença consistente do capitão sobressinalham que a disputa para 2026 segue competitiva; números como o apoio à volta da família Bolsonaro — 45% em pergunta específica — sugerem que o eleitorado ainda está dividido e maleável. Com registro no TSE sob o número 06773/2026, a pesquisa foi feita entre 10 e 12 de agosto, com 2.004 entrevistas domiciliares presenciais e intervalo de confiança de 95%: indicativos suficientes para acender alerta no governo, que precisa traduzir percepção econômica em resultado político antes que a margem se transforme em tendência.