Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (14/9) revela padrão claro de transferência de votos que favorece Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre eleitores que declaram voto em Augusto Cury no primeiro turno, 41% dizem que escolheriam Flávio e 25% optariam por Lula. A vantagem é ainda maior entre apoiadores de Renan Santos: 50% migrariam para Flávio e 18% para o petista. No grupo que vota em Ronaldo Caiado, 46% preferem Flávio contra 20% que citam Lula.
O levantamento também aponta uma exceção relevante: entre os eleitores de Romeu Zema (Novo), Lula tem vantagem — 38% contra 32% de Flávio — indicando espaço para o petista ampliar o eleitorado em setores mais centristas. A pesquisa foi encomendada pela Globo em parceria com O Globo, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE (BR-03607/2026).
Do ponto de vista político, os números expõem um padrão previsível, mas preocupante para a campanha de Lula: candidatos de viés conservador ou de direita no primeiro turno tendem a repassar votos preferencialmente para o nome do PL, reforçando a coesão do bloco opositor. Para Flávio e para o PL, os resultados funcionam como indicador de viabilidade eleitoral e abrem caminho para buscar acordos com baixas dores de cabeça junto a eleitores de Avante, Missão e PSD. Já o lulismo encontra no eleitorado do Novo uma rota de ampliação que precisa ser explorada com clareza estratégica.
Ainda que retrate o momento e não constitua previsão, a pesquisa acende alerta para as campanhas: para o governo, a sinalização de perda relativa de eleitores de candidatos conservadores exige reavaliação de mensagens e de articulações políticas; para a oposição, os números realçam a importância de consolidar apoios e transformar transferências em alianças estruturadas. Em resumo, o levantamento mostra fragilidades e oportunidades que tendem a moldar negociações e estratégias rumo a 2026.