A Quaest anunciou neste domingo (12/7) que não prestará serviços de pesquisa nem monitoramento diretamente a candidatos e partidos durante a campanha eleitoral deste ano. Segundo comunicado divulgado pelo CEO Felipe Nunes, a decisão foi tomada após reunião do conselho da empresa e visa concentrar a capacidade operacional na entrega das mais de 200 pesquisas encomendadas pela Globo e afiliadas, além de estudos contratados por empresas privadas.
A justificativa oficial — preservação da isenção, da isonomia e da independência — é sólida do ponto de vista institucional. Ao abrir mão do atendimento a campanhas, a Quaest busca evitar questionamentos sobre conflito de interesse e manter a credibilidade de seus levantamentos. Ao mesmo tempo, a retirada operacional de um fornecedor relevante altera o mercado: equipes de campanha perdem uma fonte de monitoramento e bancos de dados usados para diagnóstico, enquanto outros institutos podem ver aumento de demanda e pressão por capacidade técnica.
A medida também concentra volume de levantamentos em contratos com grande veículo de comunicação e com o setor privado. Isso não é uma acusação, mas um efeito prático que merece atenção: quando muitos levantamentos partem de um mesmo contratante, aumenta o peso editorial e de agenda do contratante na visibilidade dos resultados. A Quaest afirma que seguirá produzindo trackings e pesquisas qualitativas para clientes privados — instrumentos valiosos para entender a evolução do eleitorado e as percepções fora do ambiente de campanha.
Na prática, a decisão tem impacto imediato no tabuleiro rumo a 2026. A empresa informou que divulgará na quarta (15/7) levantamento registrado sob o número BR-07181/2026, contratado pelo Banco Genial, com 2.004 entrevistas realizadas entre 10 e 13 de julho. Mais do que um gesto de cautela, o movimento da Quaest acende um debate sobre transparência e pluralidade de fornecedores em ano eleitoral, um aspecto relevante para campanhas, jornalistas e operadores políticos que dependem de dados para definir estratégias.