Pesquisa da Quaest divulgada nesta quarta-feira confirma um quadro fragmentado para o governo Lula: na média dos 10 estados pesquisados o presidente registra 43% de aprovação contra 52% de desaprovação. O levantamento evidencia uma clara divisão regional: Pernambuco (61% aprova/32% desaprova), Bahia (60%) e Ceará (58%) aparecem como redutos de força, ao lado do Pará, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste acumulam os piores saldos.

Na ponta oposta, o Paraná concentra a maior rejeição — 60% desaprovam e 34% aprovam — seguido por Goiás (61% desaprovação e 37% de aprovação) e São Paulo (58% contra 37%). A pesquisa também aponta que apenas quatro dos dez estados pesquisados apresentam saldo positivo para o governo. Em Minas Gerais, o saldo é negativo (-10 pontos), conforme destacou o diretor da Quaest.

O resultado acende alerta político. A concentração de rejeição em Estados com grande peso eleitorais, especialmente São Paulo, complica a narrativa de consolidação do governo e amplia desgaste para uma eventual campanha que mira 2026. Os números sugerem necessidade de ajuste de estratégia, maior foco em mensagens e ações que atinjam o eleitorado urbano e setores mais críticos fora do Nordeste.

O levantamento foi realizado entre 21 e 28 de abril, com 11.646 entrevistas presenciais em dez unidades federativas; a margem de erro é de 2 pontos em São Paulo e 3 pontos nos demais estados. Os dados fornecem um retrato do momento, não uma previsão, mas deixam claro que a base de sustentação regional não é suficiente para neutralizar a rejeição que cresce em regiões decisivas para a disputa nacional.