O levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quarta-feira projeta um cenário que muda o debate eleitoral: no primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 37% contra 32% do senador Flávio Bolsonaro; Ronaldo Caiado aparece em terceiro com 6%. Na simulação de segundo turno, porém, Flávio surge numericamente à frente, com 42% ante 40% de Lula — uma primeira vantagem desse tipo para o filho do ex-presidente, ainda dentro de margem que mantém o empate técnico.

A pesquisa acende alerta político porque combina duas mensagens ao mesmo tempo: a aparente ampliação do alcance eleitoral de Flávio e a continuidade do desgaste da gestão Lula. Segundo a Quaest, parte desse movimento está ligada a uma alteração na percepção sobre a ‘moderação’ do senador em relação à família Bolsonaro — a diferença entre quem o vê como radical e quem não o vê caiu de 10 para 6 pontos desde março. O quadro indica que a campanha bolsonarista pode explorar essa mudança para dialogar fora do núcleo duro, ao mesmo tempo em que o PT enfrenta a tarefa de reconstruir margem de confiança.

O empate no segundo turno, também é um reflexo do empate no medo que cada um dos dois lados representa. O medo da volta da família Bolsonaro está em 43% e o medo da continuidade do Lula em 42%.

Os números sobre avaliação de governo e economia reforçam a pressão sobre o Executivo. A desaprovação passou de 49% para 52% desde o início do ano, enquanto a aprovação caiu de 47% para 43%. A percepção de deterioração econômica subiu: 50% dizem que a economia está piorando (ante 48% no mês anterior) e apenas 21% notaram melhora no último ano. Dois indicadores marcam a agenda social e econômica: a parcela que percebe aumento no preço dos alimentos saltou de 59% para 72% no último mês, e o percentual de entrevistados com dívidas subiu de 65% para 72% em um ano — fatores que explicam parte da perda de espaço do governo.

Do ponto de vista político, o dado central é que a disputa permanece volátil e aberta. Para Lula e aliados, as cifras sinalizam necessidade de ação imediata sobre economia e comunicação para frear a tendência; para Flávio e o campo bolsonarista, a pesquisa abre caminho para tentar transformar percepção em votos, mas sem garantia de estabilidade. A Quaest ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios entre 9 e 13 de abril; nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos. O registro no TSE é BR-09285/2026.