A pesquisa Quaest divulgada nesta segunda (14/9) confirma um quadro mais competitivo do que o esperado entre os dois principais polos eleitorais. Em cenário de primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança com 36% das intenções, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) sobe a 31% — a menor distância registrada pela série histórica da Quaest. No segundo turno, contudo, Flávio aparece numericamente à frente: 42% contra 40% de Lula, com 5% de indecisos e 13% que afirmam não votar em ninguém.
O recorte regional e o comportamento dos eleitores sem identificação partidária são os pontos que mais chamam atenção do levantamento. Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, o desempenho de Flávio no Sudeste se destaca e a vantagem entre eleitores independentes chega a 10 pontos percentuais. Esses dados explicam parte da virada numérica no confronto direto e colocam o grupo de indecisos — ainda relevante — no centro da disputa, como fator capaz de definir o desfecho eleitoral.
A pesquisa, feita com 2.004 entrevistas entre 10 e 13 de setembro e registrada no TSE (BR-03607/2026), tem margem de erro de 2 pontos e nível de confiança de 95%. Também chama atenção a diferença entre expectativa e preferência: 54% dos entrevistados ainda apostam que Lula vencerá a eleição, contra 31% que acreditam na vitória de Flávio, sinalizando uma defasagem entre sentimento sobre o resultado e intenção de voto atual. Há ainda votos dispersos para candidatos como Augusto Cury (7%), Renan Santos e Ronaldo Caiado (4% cada), e 10% de indecisos no primeiro turno.
Do ponto de vista político, o levantamento acende alerta para o campo governista. A compressão das margens e a aparente consolidação do eleitorado bolsonarista em regiões estratégicas complicam a narrativa de estabilidade da candidatura petista e ampliam a pressão para uma resposta rápida: reconquistar independentes, fortalecer competitividade no Sudeste e recuperar fidelidade de eleitores que migraram desde o levantamento anterior. Para a oposição, o resultado reforça a possibilidade de transformar coesão de base em vantagem numérica na reta final.