A pesquisa Quaest publicada nesta terça-feira (29/9) desenha um quadro regionalizado da sucessão presidencial: Flávio Bolsonaro (PL) aparece na frente em São Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem expressiva em Pernambuco. Em Minas Gerais, a disputa está tecnicamente empatada, e no Distrito Federal a diferença entre os dois principais candidatos fica no limite da margem de erro de dois pontos.
No Recife, Lula concentra o melhor desempenho entre os locais pesquisados: 58% das intenções de voto ante 20% de Flávio — uma distância de 38 pontos, maior do que na rodada anterior (54% a 21%). O resultado confirma o domínio petista no Nordeste e reduz a margem de manobra da oposição na região, onde a liderança do petista tem caráter consolidado.
No Sudeste, porém, o cenário é inverso para a campanha de Lula. Em São Paulo, Flávio tem 36% contra 30% de Lula — uma virada em relação às bancadas regionais que acende alerta para a estratégia governista no maior colégio eleitoral do país. No Rio, Flávio aparece com 38% frente a 31% de Lula. Os números mostram recuperação do bolsonarismo nas duas praças mais decisivas, com impacto direto na dinâmica nacional da corrida.
Em Minas, a disputa é mais equilibrada: Lula soma 35% e Flávio 31%, diferença dentro da margem de erro, o que configura empate técnico e mantém o estado em disputa. No Distrito Federal, Flávio tem 38% e Lula 32%, uma diferença de seis pontos que tecnicamente está no limite da margem considerada pela pesquisa. Candidatos como Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com pequenas parcelas em São Paulo e no DF, sem alterar o eixo da polarização.
O levantamento, encomendado pela Globo, não deve ser lido como previsão definitiva, mas como um retrato pontual que traz sinais políticos claros: a chapa governista conserva forças no Nordeste, enquanto a oposição amplia competitividade no Sudeste e em capitais estratégicas. Para Lula, os números impõem a necessidade de ajuste de discurso e mobilização no Sudeste; para Flávio, representam oportunidade para consolidar vantagem nos maiores colégios eleitorais e transformar desempenho regional em narrativa nacional.