A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra um deslocamento claro de eleitores que até então favoreciam o senador Flávio Bolsonaro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No recorte dos independentes — eleitores que não se identificam com os blocos tradicionais — Flávio perde sete pontos enquanto Lula avança oito, um movimento que aponta migração direta de preferência.
O levantamento traz vantagem de Lula em todos os cenários testados: no primeiro turno, 45% para o presidente contra 22% para Flávio; em um eventual segundo turno, Lula teria 48% ante 35% do senador, diferença de 13 pontos. A pesquisa entrevistou 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos e registro na Justiça Eleitoral BR-07661/2026.
O estudo associa parte do recuo de Flávio à repercussão negativa da tentativa de financiamento ao filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a Quaest, 64% avaliam que o senador errou ao buscar recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro; 14% consideraram a ação correta. A desaprovação é majoritária entre independentes (68%) e entre a chamada direita não bolsonarista (66%). Mesmo no núcleo bolsonarista, a atitude não tem apoio unânime: 40% aprovam e 29% acreditam que houve erro.
Do ponto de vista político, o levantamento acende alerta para a campanha de Flávio: a perda de espaço fora do núcleo fiel reduz a capacidade de ampliar palanque e complica alianças em setores moderados. Números que mostram maior definição do eleitorado de Lula — 68% dos seus eleitores afirmam já ter o voto decidido, ante 63% entre os de Flávio — reforçam a consolidação do presidente. Para o PL, a combinação entre recuo entre independentes, desgaste na direita não bolsonarista e a reação à polêmica de financiamento impõe a necessidade de ajuste de discurso e estratégia, sem atalhos de gestão de crise que possam aprofundar a perda de apoios.