A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira revela um quadro dividido sobre a iniciativa de Michelle Bolsonaro de tornar públicos vídeos em que acusa o enteado Flávio Bolsonaro de desrespeito. Para 45% dos entrevistados a ex-primeira-dama acertou ao expor o episódio; 38% consideram que ela errou, e 17% não souberam responder. O levantamento também mostra que 58% dos eleitores veem, ao menos em parte, as declarações como verdadeiras — sendo 31% que as consideram "totalmente verdadeiras" e 27% "parcialmente" — enquanto 16% as consideram totalmente falsas.

Do ponto de vista político, os números acendem um alerta para a pré-campanha de Flávio. O levantamento amplia pressão sobre a estratégia do PL ao expor uma potencial erosão de apoio em segmentos sensíveis para o projeto eleitoral do partido, como mulheres e evangélicos, onde Michelle tem influência comprovada. Ao mesmo tempo, a pesquisa não desenha um desfecho automático: apenas 38% acreditam que a participação direta de Michelle aumenta as chances de Flávio, contra 47% que afirmam que isso não faz diferença — sinal de que o impacto pode depender da capacidade do núcleo do candidato em controlar narrativa e alianças.

Outro ponto relevante é o alcance: 51% dos entrevistados declararam não ter conhecimento sobre o vídeo publicado por Michelle, e 67% desconheciam o vídeo em que Flávio pede desculpas. Entre quem acompanhou a resposta do senador, 42% tendem a concordar mais com Michelle, ante 18% que se posicionaram com Flávio. Esses dados indicam que, embora haja reação significativa entre os que tiveram contato com o caso, a difusão ainda é limitada — o que dá à pré-campanha uma janela para gerenciamento de danos, mas também evidencia risco de escalada caso o episódio ganhe maior penetração midiática.

Em suma, o levantamento registrado sob BR-07181/2026 (2.004 entrevistas domiciliares, 10 a 13 de julho, nível de confiança 95%) funciona como termômetro de um problema novo e potencialmente sensível para o PL. A divisão nas avaliações e a prevalência de desconhecimento sugerem que o episódio pode tanto estacionar como se transformar em fator de desgaste, dependendo da capacidade de articulação do entorno de Flávio e das movimentações de Michelle — inclusive sobre seu papel público. A pesquisa, neste sentido, não prevê desfecho, mas amplia a necessidade de respostas rápidas e precisas para evitar contaminação mais ampla do projeto eleitoral.