A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (2/9) pelo jornal O Globo confirma a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, com 37% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 30%, seguido por Augusto Cury (Avante) com 10%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro; a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos (registro BR-07065/2026). O cenário testou também nomes como Pablo Marçal, cuja inelegibilidade é objeto de disputa judicial, sem provocar mudanças substanciais nos totais quando foi retirado da lista.

Do ponto de vista numérico, o dado mais relevante é que nenhum candidato atinge maioria no primeiro turno e que 18% do eleitorado continua em aberto — 11% ainda não decidiram e 7% declaram voto em branco ou nulo. Esse espaço preserva potencial de oscilações e é justamente onde campanhas em fase de maior exposição — com propaganda no rádio e na TV e entrevistas amplas — podem ganhar ou perder tração. O crescimento de Cury, de 2% para 10% em relação à rodada de 14 de agosto, sinaliza que candidaturas emergentes conseguem capitalizar presença digital e exposição mediática em curto prazo.

Politicamente, a pesquisa acende alerta para a campanha governista: a liderança de Lula é real, mas frágil diante do volume de indecisos e da consolidação da oferta oposicionista em torno de Flávio Bolsonaro. Para a oposição, o resultado reforça que há campo para forçar um segundo turno competitivo — o levantamento aponta empate técnico em uma eventual disputa final entre os dois — e aumenta o apelo por estratégias que ampliem a transferência de votos sem fragmentar a base. Para Cury, o salto configura um momento de visibilidade que pode pressionar vetores de apoio e alterar negociações de alianças.

Há, ainda, sinais institucionais e estratégicos a considerar: esta é a primeira pesquisa após novidades no calendário de comunicação da campanha, o que torna o resultado um retrato inicial desse novo patamar de exposição. Com margem de erro de 2 pontos e 11% de indecisos, trata‑se de uma fotografia do momento, não de uma previsão definitiva. Mesmo assim, os números já têm consequências práticas: complicam a narrativa de conforto para o Planalto, aumentam a necessidade de ajustar mensagens e base de apoio, e ampliam a pressão sobre adversários que buscam consolidar a transferência de votos até o primeiro turno.