A pesquisa Quaest contratada pela TV Globo e divulgada nesta segunda-feira revela um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno: 41% para cada um. O levantamento — realizado com 2.004 eleitores entre quinta (3/6) e domingo (6/6), com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-01720/2026 — é o primeiro divulgado após o acirramento da crise institucional no Supremo Tribunal Federal entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, contexto que pode repercutir na agenda política e no comportamento do eleitorado.

Os números mostram, em relação ao levantamento anterior de 2 de setembro, estabilidade dentro da margem de erro: Lula oscilou de 42% para 41% e Flávio manteve 41%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 13% nesse cenário, enquanto 5% se declaram indecisos — fatia relevante em uma disputa tão apertada. A manutenção dos índices indica que, por ora, nenhum dos dois campos conseguiu ampliar de forma decisiva sua base, o que expõe o peso da mobilização e da capacidade de virar indecisos e reduzir a taxa de votos desperdiçados.

Em simulações com outros pré-candidatos, o presidente tem desempenhos variados: contra o governador Ronaldo Caiado, Lula aparece com 41% ante 38% de Caiado; frente a Augusto Cury, tem 39% contra 35% do Avante, com 21% afirmando que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam; diante de Renan Santos, Lula soma 42% e Renan 37%; e no cenário mais favorável ao presidente, ele alcança 44% contra 33% de Romeu Zema. Esses resultados mostram que o adversário importa: alguns nomes ampliam a rejeição e a abstenção, o que torna o mapa eleitoral mais fluido do que um confronto tête-à-tête entre as lideranças atuais.

A pesquisa acende alerta para ambos os lados. Para o Planalto, o empate técnico e a sensível parcela de não votos e indecisos apontam necessidade de consolidar a coalizão e reduzir desgaste político — sobretudo em um momento de tensão institucional que pode desgastar a imagem do Executivo ou polarizar ainda mais o eleitorado. Para o campo bolsonarista, a performance de Flávio Bolsonaro reafirma uma alternativa competitiva, mas também indica limitação para crescer além da base sem capturar eleitores indecisos ou reduzir a taxa de votos em branco e nulos. Em suma, o levantamento é um retrato do momento, não uma previsão definitiva: a disputa segue aberta e dependerá de campanhas, alianças e da evolução do ambiente institucional nas próximas rodadas de pesquisa.

Ainda que mostre estabilidade comparativa, o quadro reforça uma realidade já conhecida: margens estreitas e elevado potencial de volatilidade. A disputa de 2026, como sinaliza o levantamento da Quaest, será fortemente definida pela capacidade de cada campo de transformar intenção em voto validado — e pela influência de episódios institucionais que podem reconfigurar custos políticos, mobilização e narrativa diante do eleitor.