A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira confirma Eduardo Paes (PSD) como líder isolado na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, em cenário que favorece candidaturas sem vínculo explícito com Lula ou Bolsonaro. O levantamento entrevistou 1.200 eleitores entre 21 e 25 de abril, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O dado sobre independência política — citado por 40% dos entrevistados — explica a aposta de Paes em uma frente ampla.
Nas simulações de primeiro turno, Paes aparece entre 34% e 40% das intenções, bem à frente do segundo colocado, Douglas Ruas (9% a 11%). Em um eventual segundo turno, a vantagem se amplia: Paes registra 49% contra 16% de Ruas. Além de consolidar o ex-prefeito como favorito, os números sinalizam uma vantagem estruturada junto ao eleitorado moderado, que diverge dos polos presidenciais e tende a premiar candidaturas pragmáticas no estado.
Os resultados também evidenciam desgaste da gestão estadual: 47% desaprovam a administração de Cláudio Castro, enquanto 35% aprovam. Avaliações qualitativas apontam 36% com opinião negativa, 32% regular e 23% positiva. Mesmo após a saída de Castro do cargo no fim de março, por decisão do TSE que o tornou inelegível, o rastro de rejeição persiste e representa um custo político concreto para eventuais candidaturas alinhadas ao grupo do ex-governador.
O levantamento funciona como um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas tem consequências práticas: amplia a pressão sobre o campo aliado a Castro/PL para remontar uma alternativa competitiva e força adversários a recalibrar mensagens e alianças. Para Paes, a vantagem traz desafio de converter liderança em base eleitoral estável até a eleição, enquanto para a oposição estadual a tarefa será reduzir o desgaste institucional exposto pela pesquisa.