O levantamento do instituto Quaest divulgado nesta semana desenha um quadro de forte equilíbrio para 2026: em simulação de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem em empate técnico, cenário que mantém a disputa indefinida e altamente polarizada. A estabilidade do eleitorado, já observada em 2022, indica bases consolidadas em ambos os polos, o que reduz o espaço para variações por mobilização pura e simples.

Nessa equação, a pesquisa acende alerta para um fator que poderá decidir o resultado: a taxa de rejeição. O levantamento mostra que tanto o presidente quanto o senador enfrentam resistência de parcela relevante do eleitorado. Em termos práticos, a rejeição funciona como um teto para o crescimento de candidaturas — e, com as bases duras já mobilizadas, a vitória tende a depender de quem consiga conquistar os eleitores que ainda não escolheram.

O efeito político é claro e simétrico: para quem ocupa o Executivo, a manutenção de aprovação suficiente não basta se a antipatia permanecer alta; para o candidato oposicionista, a tarefa é ampliar apelo além do núcleo fiel, reduzindo a imagem de risco que afasta moderados. O quadro amplia desgaste para estratégias que se baseiam exclusivamente na polarização, porque o eleitor pragmático do centro pode optar pelo candidato que tolera mais, não pelo que mais energiza sua base.

Os indecisos, segundo o próprio relatório, tendem a se concentrar no centro do espectro e adotam critérios mais pragmáticos do que ideológicos. Nesse terreno, discursos extremos ou ataques que aumentem a antipatia podem custar mais do que trazer votos. As campanhas, portanto, devem ajustar repertório: manter mobilização de base sem sacrificar a capacidade de reduzir a rejeição junto a moderados, priorizando mensagens sobre economia, segurança e gestão — temas de menor rupturismo e maior apelo transversal.

O retrato apontado pela Quaest é um alerta operacional: o pleito permanece aberto e a agenda eleitoral deve se transformar em disputa pela tolerância do eleitor mediano. Não se trata de prever um vencedor, mas de sinalizar onde estará a pressão política nos próximos meses — sobre comunicação, alianças e disciplina de candidatos. Quem souber transformar menor antipatia em margem de vitória terá vantagem decisiva na reta final.