A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra um quadro inicial de liderança para Simone Tebet (PSB) e Márcio França (PSB) na disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo em 2026. Nos cenários testados, Tebet aparece na dianteira, com cerca de 14% das intenções de voto totais no principal recorte, seguida por França, com 12%. Os dois nomes mantêm vantagem relativa sobre os demais em todas as simulações, mas a frente não é sinônimo de estabilidade.

O levantamento revela fragilidades que impedem uma leitura definitiva: brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam entre 27% e 29% nos diferentes cenários, e a parcela de indecisos fica entre 22% e 24%. Além disso, 60% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar o voto até a eleição, enquanto apenas 39% afirmam ter a decisão consolidada. Esses indicadores expõem um terreno volátil, em que vantagem hoje pode não se traduzir em resultado daqui a meses.

A pesquisa também avalia recortes com nomes como Marina Silva e Pablo Marçal; a entrada desses candidatos altera posições relativas, mas não reduz de maneira substancial o espaço dos votos não definidos. No teste do primeiro voto, Tebet atinge 23%, aumentando sua margem; já no segundo voto, França aparece isolado com 13%. Outros concorrentes pontuam em níveis mais baixos — destaque para a presença de votos relevantes em candidatos do centro e da direita, mas sem consolidação.

Do ponto de vista político, os números têm implicações claras. A preferência por candidatos independentes — defendida por 48% dos entrevistados — indica desgaste das legendas e alianças tradicionais em São Paulo e complica a narrativa de grupos ligados aos governos federal ou a ex-presidentes. A divisão entre eleitores que preferem nomes alinhados a Jair Bolsonaro (27%) e Lula (23%) mostra que nem a polarização nacional garante controle automático das cadeiras no Senado paulista.

A amostra de 1.650 eleitores, aplicada entre 23 e 27 de abril, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE (SP-03583/2026). Para candidatos e partidos, o recado é prático: a eleição está longe de estar definida e a batalha será por converter indecisos e reduzir o volumoso contingente de votos em branco e nulo. Em termos estratégicos, o resultado exige reação coordenada — reforço de campanha, definição de mensagens e capacidade de cobrar espaço num eleitorado que ainda não consolidou escolhas.