O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que 918.876 brasileiros com domicílio eleitoral no exterior estão aptos a votar nas eleições de 2026 — pouco mais de 0,5% do eleitorado total. O registro abrange 134 países e confirma um aumento contínuo: o número de eleitores fora do país cresceu 358% desde 2010, quando eram cerca de 210 mil.

Os brasileiros que vivem no exterior votam apenas para presidente e vice-presidente da República. Para atender esse eleitorado, o TSE prevê seções em 186 cidades, instaladas principalmente em consulados e embaixadas, mas também em locais como escolas e hotéis. A articulação prática, porém, ainda esbarra na distância: brasileiros no Canadá, por exemplo, têm de se deslocar até Toronto para acessar a seção mais próxima.

O perfil do eleitorado no exterior também chama atenção: 57% são mulheres; 52% declaram-se solteiros; e 38% têm ensino superior completo — o maior percentual por nível de instrução. As faixas etárias mais numerosas estão entre 35 e 49 anos. Há ainda 6.614 eleitores com deficiência registrados. Esses dados moldam tanto as demandas logísticas quanto as estratégias de comunicação.

Politicamente, o crescimento da votação no exterior acende alerta para campanhas presidenciais. A concentração em países como Estados Unidos (265,4 mil), Portugal (134,7 mil), Japão (88,3 mil), Canadá (46,4 mil) e Alemanha (41,5 mil) torna a diáspora alvo específico de mobilização, especialmente em cenários apertados onde o voto no segundo turno pode pesar. Ao mesmo tempo, a necessidade de deslocamento e as barreiras práticas podem limitar a participação, tornando a mobilização aliada a facilidades de acesso um fator determinante.

Mais do que um dado estatístico, a expansão do eleitorado fora do Brasil exige resposta institucional e política: investimento do TSE em logística, planejamento de seções e uma estratégia concreta dos partidos para alcançar eleitores dispersos. Os números detalhados estão disponíveis no portal do TSE e mostram que a votação no exterior deixou de ser um fenômeno residual — virou peça a ser considerada na equação de 2026.