A disputa em torno do fim da escala 6x1 ganhou novo capítulo nesta sexta-feira com a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), de convocar sessão e acelerar o rito da proposta. A manobra ocorre após pedido de vista na CCJ, que — segundo o regimento — suspende a análise por duas sessões deliberativas: Motta quer que o colegiado vote a PEC já na próxima quarta‑feira. Antes da convocação, ele se reuniu com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, em tentativa declarada de evitar choque direto entre Executivo e Legislativo.

No centro da disputa está o formato da mudança: a PEC, defendida pela bancada da Câmara, altera a Constituição e exige quórum qualificado, o que torna a tramitação mais lenta, porém com alcance e segurança jurídica maiores. O governo, por sua vez, empurra pelo projeto de lei que enviou ao Congresso — caminho mais rápido e sujeito a maioria simples, com possibilidade de ajustes por veto. A escolha entre PEC e PL define não só o conteúdo final, mas quem terá protagonismo político sobre a medida.

Lado a lado com a articulação institucional, parlamentares já esboçam posições. O líder do PT na Câmara admitiu as dificuldades de aprovar uma PEC que reduza jornada em pautas complicadas, e defendeu formato que permita cortar de 44 para 40 horas e encerrar a 6x1 sem redução salarial, ponto que, segundo ele, poderia obter maioria. O presidente Lula voltou a defender publicamente o fim da escala durante agenda na Espanha. O relator na CCJ afirmou que o debate mais sensível hoje é sobre os efeitos práticos da redução — principalmente o custo da hora de trabalho e quem arcará com ele.

A disputa revela que a questão é tanto técnica quanto política. Forçar a PEC pode retardar a mudança e garantir ao Congresso o controle da agenda; aceitar o PL daria ao Executivo uma vitória rápida, com ganhos eleitorais e operacionais. O impasse acende alerta sobre risco de desgaste entre os poderes e pressiona aliados de ambos os lados a definirem estratégia. Resta saber se a solução será um acordo que concilie velocidade e previsibilidade ou se a disputa de protagonismo arrastará a pauta, adiando efeitos práticos para trabalhadores e empregadores.