Um levantamento da Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados, com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a data-limite de 6 de maio, mostra que o número de eleitores entre 16 e 24 anos caiu 22% em 16 anos. Em 2010 essa faixa somava 24,7 milhões de títulos; neste ano são 19,2 milhões — uma perda de 5,5 milhões de eleitores jovens.
Ao mesmo tempo, o eleitorado total cresceu: eram 135,8 milhões em 2010 e passaram para 158,8 milhões em 2026, alta de 17%. Na prática, a parcela dos jovens no conjunto do eleitorado encolheu de 18,2% para 12,5%. Nas últimas eleições, a Nexus registrou 21,5 milhões de jovens aptos em 2022, dos quais cerca de 17 milhões compareceram ao primeiro turno — taxa de votação de 78,9% para essa faixa naquele pleito.
Especialistas consultados pelo levantamento apontam razões demográficas e comportamentais. O envelhecimento da população é a explicação estrutural predominante, mas haverá impacto adicional: a faixa de 16 a 17 anos, cujo voto é facultativo, encolheu quase 15% entre 2022 e 2026. Analistas também destacam desconfiança da geração Z na política tradicional e déficit de comunicação concreta como fatores que reduzem a motivação para registrar o título e votar.
A tendência tem consequências políticas claras: a perda de peso relativo dos eleitores jovens altera prioridades de campanha e de políticas públicas, deslocando influência para faixas etárias mais velhas. Para 2026, a redução do eleitorado jovem acende alerta para partidos e candidatos que contam com a mobilização dessa faixa: será necessário transformar propostas em agenda tangível e investir em comunicação efetiva para recuperar relevância e comparecimento.