A retirada temporária do perfil do projeto 'Revelando' no Instagram pela Meta foi seguida por uma explosão de menções ao vídeo apresentado por Fabio Porchat, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque. Entre 21 e 24 de setembro, até o meio-dia, o conteúdo acumulou mais de 500 mil menções e ultrapassou 5 milhões de interações em pouco mais de 48 horas, com a maior onda concentrada depois que a conta saiu do ar.

O relatório detalha a dinâmica: nas primeiras 56 horas após o lançamento foram registradas 149 mil menções; a partir das 8h de 23 de setembro, quando o perfil foi retirado, outras 353 mil publicações foram contabilizadas — ou seja, 70% do volume total analisado. No dia da remoção o vídeo teve 293 mil menções (2,7 vezes o dia de lançamento) e, em um pico, registrou 24,9 mil citações em apenas uma hora. Usuários passaram a compartilhar o conteúdo no YouTube, onde ele alcançou o primeiro lugar entre os mais assistidos. Horas depois, a Meta restaurou a conta e afirmou que a retirada foi um erro; Porchat denunciou tentativa de censura.

O levantamento identificou 35,6 mil publicadores únicos. Entre os perfis com maior alcance estavam o criador Lázaro Rosa e os veículos Folha de S. Paulo e Diário de Pernambuco. Entre políticos e órgãos de imprensa foram analisadas 468 publicações que somaram 9,7 milhões de interações: a esquerda respondeu por 75% das publicações e 77% das interações; a extrema-direita correspondeu a 15% das publicações e 16% das interações; a imprensa representou 10% das publicações e 7% das interações. O eixo 'Porchat, jornalismo ou campanha' concentrou 25% das publicações e 44% das interações.

Os números mostram que a própria ação de moderação acabou amplificando o alcance do conteúdo e acelerando a politização do caso: perfis de esquerda mobilizaram compartilhamentos; vozes da direita passaram a qualificar o vídeo como ataque eleitoral e a apontar 'preconceito contra a fé cristã'. Para a Meta, o episódio acende alerta sobre a necessidade de transparência e consistência nos critérios de moderação. Politicamente, a sequência — vídeo, remoção, pico de menções e restauração — levanta dúvidas sobre o papel das plataformas no debate público e expõe um risco reputacional e eleitoral que tende a ganhar relevância no calendário que se aproxima de 2026.