A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (18/6), 18 mandados de busca e apreensão em três unidades da Federação — Bahia, São Paulo e Distrito Federal — no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, sinalizando o elevado grau de sensibilidade institucional das investigações, que apuram um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master.

Entre os alvos está Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-controlador do Banco Pleno, liquidado pelo Banco Central em fevereiro. Lima já figurou em fases anteriores da operação: foi preso preventivamente na primeira etapa, em novembro de 2025, e intimado a depor em janeiro e maio de 2026 — diligências que chegaram a ser adiadas após a defesa requerer acesso aos autos. Para a PF, Augusto é uma das "peças-chave" para compreender a estrutura das operações suspeitas, inclusive transações que envolveriam a venda do Master ao BRB.

A apuração também volta o foco para a ligação entre o banqueiro e o senador Jaques Wagner. A Polícia Federal investiga se o parlamentar agiu em favor de propostas de interesse do banco no Congresso, como a chamada "Emenda Master" e projeto que ampliava o limite do crédito consignado. Trata-se de um ponto de grande potencial político: se comprovada alguma atuação indevida, a relação entre poderes e o setor financeiro pode gerar custo político considerável para aliados e reverberar na agenda legislativa sobre liberalização do crédito.

A defesa de Augusto Lima classificou as novas diligências como desnecessárias, afirmando que o cliente está à disposição das autoridades há seis meses e que as medidas serão úteis para demonstrar a licitude dos atos investigados. O gabinete do senador envolver-se-ia apenas se os fatos, provados, apontarem para influência indevida — hipótese que, por ora, segue sob apuração. O envolvimento do STF no despacho dos mandados mostra que a investigação avança para fases mais incisivas, o que tende a ampliar o escrutínio público e a pressão sobre interlocutores políticos.

Do ponto de vista político e institucional, a continuidade das investigações acende alerta sobre o grau de penetração de interesses financeiros em projetos legislativos e sobre possíveis riscos à governabilidade. Para o campo político atingido, o desafio imediato será neutralizar o desgaste e responder com transparência; para as instituições, será crucial transformar esse impulso investigativo em resultados que esclareçam responsabilidades sem transformações em espetáculo midiático. A 9ª fase da Compliance Zero, com Augusto Lima novamente no centro, mantém o caso no radar e complica a narrativa de normalidade em torno das operações do Banco Master.