Aos 56 anos, o médico veterinário Wilson Grassi Junior é o nome do Democrata na corrida pelo Palácio do Planalto. Natural de São Paulo, Grassi vem acompanhado de Suêd Haidar na vice e marca a estreia da legenda — criada em 2008 como Partido da Mulher Brasileira e renomeada no fim de 2025 — numa disputa presidencial com candidatura própria. Na urna, o número será 35.
Formado em Medicina Veterinária, Grassi construiu parte de sua trajetória na atuação associativa: foi conselheiro da Anclivepa-SP e participou do projeto de implantação do que foi apresentado como o primeiro hospital público veterinário para cães e gatos no Tatuapé, na Zona Leste. Politicamente, sua trajetória é de tentativas repetidas sem sucesso nas urnas: concorreu a deputado estadual em 2006 pelo então PFL, a deputado federal em 2022 pelo PV (6.580 votos) e tentou uma vaga de vereador em São Paulo pelo PRTB em 2024 (2.777 votos).
No campo econômico, a proposta mais emblemática é o Imposto Único Federal (IUF): alíquota de 2% aplicada automaticamente sobre débitos e créditos bancários que substituiria tributos como Cofins, CSLL, IPI, IOF e a contribuição patronal sobre a folha. O plano complementa com ampliação da faixa de isenção do IRPF para cinco salários mínimos — R$ 8.105 em valores de 2026 —, medida que, segundo estudo ligado à proposta, retiraria da base de contribuintes cerca de 85% dos atuais declarantes. Trata‑se de uma mudança estrutural que levanta dúvidas sobre a consistência das estimativas de receita, sobre a distribuição de impactos entre setores e sobre a viabilidade política de aprovar um ajuste dessa magnitude no Congresso.
Na segurança pública, o programa combina medidas contra o financiamento das facções e o isolamento de lideranças com uma proposta controversa: plebiscito para autorizar a construção de presídios de “segurança máxima” inspirados no modelo de El Salvador. O próprio texto da campanha afirma que a eventual adoção não implicaria suspensão de garantias individuais, mas a ideia tende a polarizar o debate, suscitar questionamentos jurídicos e atrair críticas de organizações de direitos humanos. Considerando a trajetória eleitoral limitada de Grassi, sua candidatura dificilmente altera hoje a linha de frente das pesquisas, mas apresenta propostas capazes de devolver temas sensíveis ao centro do debate e forçar reações de adversários e de setores técnicos sobre custos, legalidade e consequências institucionais.