O chanceler argentino Pablo Quirno declarou ao site Infobae que não há elementos suficientes para comprovar a afirmação do presidente Javier Milei de que parte dos recursos de uma suposta campanha contra a Argentina teria sido financiada pelo governo brasileiro. A posição do ministro surge na esteira das acusações de finais de julho, quando Milei afirmou, sem apresentar provas, que 25% dos recursos teriam partido do Brasil.
Quirno disse ter identificado que 22% das publicações hostis à Argentina nas redes sociais têm origem em usuários brasileiros, seguido pelo México, e avaliou que esse volume e a monetização de conteúdos indicam que há dinheiro por trás da operação. Ainda assim, o chanceler foi taxativo ao admitir a ausência de provas que permitam responsabilizar pessoas ou instituições brasileiras: não há elementos para incriminar o governo.
A distinção feita pelo chanceler — entre mensagens originadas no Brasil e financiamento estatal — é relevante politicamente. Acusações públicas sem comprovação, proferidas por um chefe de Estado, deterioram o ambiente diplomático e obrigam governos a lidar com desgaste reputacional e pressões por respostas formais. No caso, a narrativa de Milei também veio acompanhada de ataques a políticos brasileiros, o que elevou a tensão bilateral.
No plano prático, a falta de evidências mantém o episódio no campo político: pode ser explorado internamente na Argentina e serve de munição em disputas regionais, mas não oferece base para ações legais ou confrontos diplomáticos formais. Cabe agora a Milei ou a sua equipe apresentar provas concretas ou recuar; até lá, a afirmação permanece como uma declaração de impacto, porém sem lastro probatório.