O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, aparece em documentos como doador de R$3 milhões à campanha de reeleição do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL) e de R$2 milhões à conta eleitoral do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As transferências estão registradas nas prestações de contas consultadas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, segundo a peça, foram operacionalizadas por Fabiano Campos Zettel.

A proposta de delação mencionada pela reportagem sustenta que os repasses teriam funcionado como “contrapartidas financeiras” após um suposto “ajuste indevido” mediado com o cacique do PSD, Gilberto Kassab. No documento, a compensação seria pela “manutenção do Credcesta no governo Tarcísio”. O Credcesta é um produto semelhante a um cartão de crédito consignado para servidores, operado pela PKL One Participações, ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

Doar é ato legal, mas a narrativa da delação altera o enquadramento político: se confirmada, a ligação entre repasses, um ajuste com líder partidário e a preservação de um contrato público transforma episódio financeiro em risco reputacional. Para aliados e adversários, os fatos aumentam a pressão por esclarecimentos e podem complicar a posição de Tarcísio no plano estadual e do grupo que apoiou Bolsonaro nacionalmente.

Até agora, as informações decorrem de uma proposta de delação que precisa ser objeto de investigação e verificação. As doações constam oficialmente no TSE, o que dá base documental aos relatos, mas não substitui apurações. O episódio tende a elevar a cobrança por transparência das campanhas e por explicações públicas de Vorcaro, Zettel, Kassab e dos beneficiados pelos repasses.