Pouco mais de 48 horas após a prisão em Orlando por irregularidade migratória, o ex-deputado Alexandre Ramagem foi liberado do centro de detenção administrado pelo ICE. Segundo registros consultados, seu nome deixou de constar na lista de detidos por volta das 15h50 (horário de Brasília).
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos e um mês de prisão por participação na organização que tentou um golpe de Estado. Ele deixou o Brasil no ano passado para evitar o cumprimento da pena e teria usado um passaporte diplomático cuja validade foi questionada após a cassação do mandato pela Câmara.
A Polícia Federal informou que a detenção decorreu de cooperação internacional. O nome do ex-parlamentar constava na Difusão Vermelha da Interpol, a pedido do ministro Alexandre de Moraes. Em janeiro, o Ministério da Justiça encaminhou formalmente ao governo dos EUA o pedido de extradição, com a Embaixada do Brasil em Washington remetendo a solicitação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro.
Nas redes e em declarações públicas, apoiadores de Jair Bolsonaro interpretaram a liberação como vitória política: deputados bolsonaristas afirmam que Ramagem solicitou asilo nos EUA e celebraram o episódio — incluindo menções a apoio de autoridades norte-americanas. O líder do PL na Câmara disse haver “muito acesso” a aliados em Washington, atribuindo ao governo americano papel decisivo na celeridade da solução.
A soltura acende alerta político e diplomático. Para o governo brasileiro e para o Judiciário, o episódio expõe o desafio de transformar medidas judiciais e pedidos de extradição em resultados práticos quando há mobilização internacional e narrativa de perseguição. Resta a pergunta sobre a velocidade e eficácia da via diplomática para garantir a extradição e a resposta institucional a tentativas de driblar a execução da pena.