A mais recente sondagem Quaest, divulgada nesta terça-feira, desenha um cenário mais favorável à governadora Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco. No levantamento presencial com 1.302 eleitores realizado entre 21 e 24 de agosto, Raquel aparece com 44% das intenções de voto contra 36% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A diferença de oito pontos está fora do intervalo de empate técnico quando considerada a margem de erro de três pontos, o que dá peso estatístico ao avanço da gestora.

Além do placar do primeiro turno, o levantamento mostra estabilidade relativa em relação à rodada de julho: Raquel oscilou de 43% para 44%, e João de 37% para 36% — variações dentro da margem de erro. No cenário de segundo turno, a governadora amplia a vantagem para 47% a 37%. Ao mesmo tempo, 12% dos eleitores se declaram indecisos no primeiro turno, e 7% dizem que votarão em branco, nulo ou não irão votar. Esses segmentos mantêm uma janela de risco, mas não suficiente, até agora, para reverter a tendência registrada.

Os dados trazem sinais políticos claros. Para a oposição, a diferença fora do empate técnico acende alerta e exige readequação de estratégia: reduzir indecisos, ampliar capilaridade eleitoral e reconstruir narrativas que pressuponham erosão do apoio à governadora. Para Raquel Lyra, a vantagem e índices elevados de aprovação (68% aprovam a administração; 24% desaprovam) reforçam a narrativa de governabilidade e prestação de contas como elementos centrais da campanha. Ainda assim, a comparação temporal indica um quadro mais de consolidação do que de expansão rápida — o que exige manutenção da máquina política e atenção ao eleitor volátil.

A pesquisa também traz números para a disputa ao Senado, em que Marília Arraes (PDT) lidera numericamente com 16% nas combinações entre duas vagas; Humberto Costa (PT) tem 13% e Mendonça Filho (PL) 9%. Os índices de indecisão e intenção de voto em branco são elevados no pleito senatorial — 26% e 24%, respectivamente — apontando que a corrida para as duas vagas ainda está mais aberta e suscetível a movimentações de última hora. Em resumo: o levantamento é um retrato do momento que amplia a pressão sobre a oposição em Pernambuco e confirma que a governadora parte de posição confortável rumo a 2026, sem, contudo, garantir uma vitória automática.