O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, publicou nas redes sociais um vídeo de apoio à possível candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais. O pronunciamento ganha peso político justamente após uma sequência de idas e vindas: Cleitinho havia anunciado a desistência, mas voltou a afirmar que seria candidato durante a convenção nacional do Republicanos em Brasília. A reviravolta expõe uma divisão de sinais dentro do partido sobre o caminho a seguir no estado.
No vídeo, Ratinho elogiou a trajetória do senador, estimulando-o a manter a postulação como forma de medir sua força eleitoral junto ao eleitorado humilde. O apoio público do pai do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), cria um elemento de desconforto político: o filho do apresentador pertence ao mesmo partido do governador e provável adversário de Cleitinho em Minas, o que torna o gesto mais relevante do ponto de vista de percepção e alianças regionais.
A situação provoca uma pressão direta sobre a direção do Republicanos. O senador busca agora uma reunião com o presidente do partido, o deputado Marcos Pereira, enquanto Pereira declara que o tema estaria 'página virada' — ainda que tenha qualificado a instabilidade como compreensível diante do contexto pessoal de luto do senador. Essa ambivalência deixa o partido vulnerável a críticas por falta de coordenação e pode atrapalhar a montagem de uma narrativa eleitoral coesa em Minas.
Do ponto de vista eleitoral, a indefinição tem impacto concreto: cenários sem Cleitinho já mostram fragmentação e têm efeitos sobre as posições de adversários, como indicou pesquisa divulgada em julho pelo instituto Quaest. Para o Republicanos, a disputa deixa evidente a necessidade de uma definição rápida, sob risco de perda de tração entre eleitores decisivos e aumento do custo político de uma disputa interna às vésperas da eleição.