A correção de 15,04% no Bolsa Família anunciada pelo governo federal entrou no centro da disputa presidencial a 17 dias do primeiro turno, programado para 4 de outubro. O reajuste, que eleva o benefício mínimo por família de R$ 600 para R$ 691 e a média para R$ 777, tem efeito imediato no calendário eleitoral e reforça o debate sobre o uso de políticas públicas em véspera de eleição.

Do lado governista, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirma que a decisão foi técnica: a equipe identificou espaço no Orçamento após atualizar projeções de despesas obrigatórias e atendeu solicitação do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Segundo o Executivo, a correção corresponde à variação acumulada do INPC desde a estrutura atual do programa até agosto e já havia previsão legal para a recomposição.

Na oposição, o candidato do PL classificou o anúncio como ilegal e afirmou que se trata de manobra eleitoral. A acusação abre espaço para disputa jurídica e narrativa política: mesmo com a justificativa fiscal do governo, a proximidade com a eleição acende alerta e facilita ataques sobre instrumentalização do Orçamento público em ano de campanha.

Além do impacto imediato sobre eleitores de baixa renda, o reajuste tem custo político e fiscal. O governo estima efeito adicional de R$ 5,8 bilhões em 2024 e cerca de R$ 22,7 bilhões para 2027. A medida força adversários a recalcularem estratégias e coloca pressão sobre a transparência das contas públicas, mesmo quando a correção se apoia em parâmetros técnicos.