A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira confirma uma disputa apertada no segundo turno: nos votos válidos, Flávio Bolsonaro aparece com 52% ante 48% de Luiz Inácio Lula da Silva. Na sondagem estimulada — quando os nomes são apresentados aos entrevistados — o cenário é igualmente equilibrado, com 48% para Flávio e 45% para Lula. Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, a diferença entre os candidatos permanece dentro do que se considera empate técnico.

O levantamento mostra ainda um contingente pequeno, mas eleitoralmente relevante, de votos brancos e nulos (5%) e 2% de entrevistados que não souberam ou preferiram não responder. A rejeição também aparece como elemento central: 35% dos ouvidos dizem que não votariam em Lula em hipótese alguma, enquanto 33% declaram rejeição a Flávio; outros 28% afirmam que não votariam em nenhum dos dois. Esses índices indicam um quadro em que ambos os candidatos convivem com fatias significativas de eleitores que rejeitam suas candidaturas, reduzindo o espaço para crescimento sem desgaste adicional.

A solidez das bases aparece elevada: 93% dos entrevistados dizem já ter decidido o voto. Entre os apoiadores de Flávio, 94% afirmam que não mudariam de candidato, e entre os de Lula a parcela é de 90%. Esses números apontam para baixa persuasibilidade do eleitorado, mas a margem de erro e o universo de indecisos — ainda que pequeno — mantêm a corrida aberta. Em campanhas tão apertadas, variáveis como comparecimento às urnas, eficiência da mobilização e episódios de última hora podem ser decisivos.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta para o governo: o desempenho de Lula no segundo turno, quando comparado ao adversário, revela margem estreita e expõe fragilidades na articulação de parte do eleitorado. Para Flávio, o cenário traz vantagem estatística, mas o elevado índice de rejeição impõe desafios de governabilidade simbólica e de ampliação de base. Em ambos os lados, a prioridade operacional será converter os indecisos e evitar a dispersão de votos para brancos, nulos ou abstenção.

Metodologicamente, o levantamento entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre 15 e 19 de outubro de 2026 e está registrado no TSE sob o protocolo BR-02952/2026. Como todo retrato de momento, os números não definem o resultado final, mas ajudam a calibrar estratégias: para o governo, significam necessidade de recuperar margem de segurança; para a oposição, apontam oportunidade contingente que precisa ser sustentada até o dia da votação.