A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira mostra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 46% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% em um eventual segundo turno. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o que configura tecnicamente um empate e deixa a disputa aberta na reta final do calendário eleitoral.

O levantamento — registrado no TSE sob o protocolo BR-09503/2026 e com 2.000 entrevistas por telefone realizadas entre 26 e 30 de setembro — também aponta 4% de votos em branco ou nulo e outros 4% de eleitores que não souberam ou preferiram não responder. Os números são pouco diferentes da pesquisa anterior, de 24 de setembro, quando Lula tinha 45% e Flávio 45%: a estabilidade prevalece desde março, quando ambos apareciam com 42% nas primeiras leituras da série.

Do ponto de vista político, a manutenção do empate técnico acende alerta tanto para o governo quanto para a oposição. Para a gestão federal, o placar expõe dificuldade de ampliar vantagem em cenários de confronto direto e coloca a polarização como fator central: a decisão dependerará de mobilização, voto útil e do desempenho em segmentos que ainda oscilam. Para Flávio e a coordenação da campanha de oposição, o recado é claro: oscilações marginais bastam para inverter o quadro, o que reforça a necessidade de foco em turnout e em convencer indecisos e eleitores de terceira via.

A Real Time também testou Lula contra outros quatro candidatos em cenários alternativos e, em ao menos alguns confrontos como com Ronaldo Caiado, registrou diferenças dentro da margem de erro, sinalizando que a eleição segue competitiva mesmo fora do duelo principal. No ambiente de empate técnico, a atenção sobre rejeições, debates, gastos de campanha e notícias de última hora aumenta, porque pequenas variações de percepção pública podem ter impacto desproporcional sobre o resultado.

Em resumo: o levantamento confirma um cenário apertado e relativamente estável, sem definição clara do vencedor. Para ambos os lados, a prioridade prática é converter intenção em voto efetivo, reduzir margem de indecisos e trabalhar microsegmentos eleitorais onde ganhos modestos podem fazer a diferença. A pesquisa não prevê um desfecho, mas amplia a pressão estratégica sobre campanhas e aliados para a fase decisiva da corrida presidencial.