A nova pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira confirma liderança de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, com 40% das intenções de voto ante 33% do senador Flávio Bolsonaro. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre 18 e 20 de julho, por entrevistas presenciais, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais (registro TSE BR-05864/2026). No segundo turno, o quadro é tecnicamente empatado: Lula 45% e Flávio 42%, dentro da margem de erro.
Os números mostram uma fotografia bifronte do cenário: enquanto Lula mantém vantagem confortável no 1º turno, a avaliação do governo aponta risco político. A aprovação é de 46% (17% ótimo, 18% bom), contra 50% de desaprovação (24% péssimo, 14% ruim), além de 26% que consideram a gestão regular. Essa combinação — liderança nas intenções, mas maior rejeição do que aprovação — acende alerta para a estratégia governista, que precisa reduzir o núcleo de rejeição para transformar vantagem em estabilidade eleitoral.
A disputa revela também divisões demográficas relevantes: entre eleitoras, Lula aparece com 44%; entre homens, Flávio lidera com 38%. Para Flávio Bolsonaro, o avanço até agora é significativo e coloca pressão sobre o campo governista, mas o candidato enfrenta desgaste adicional em meio à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que ganhou espaço público e pode complicar sua tentativa de ampliar apoios além do núcleo fiel. Transformar intenção em voto consolidado exigirá de ambos maior capacidade de atrair eleitores indecisos e reduzir votos nulos/abstenções.
Politicamente, a pesquisa complica a narrativa oficial e amplia o espaço de atuação da oposição no curto prazo. Um presidente com desaprovação superior à aprovação tem menos margem para implementar agendas de risco político e fica mais exposto a mobilizações adversas e críticas na opinião pública. Para o candidato de oposição, a possibilidade de virar o segundo turno em empate técnico significa capital político, mas também a necessidade de administrar crises internas e evitar episódios que aumentem a rejeição.
A Real Time Big Data reforça que se trata de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva. Com 2.000 entrevistas e intervalo de confiança de 95%, o levantamento serve como termômetro das tensões eleitorais e aponta pressões concretas para as campanhas — tanto na redução da rejeição do governo quanto na consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro. Nos próximos meses, a evolução desses indicadores e a resposta das campanhas às fragilidades expostas serão decisivas para o desfecho do pleito.