A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira torna palpável a disputa apertada pelas duas vagas ao Senado em Minas Gerais. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) aparece na liderança com 21% das intenções de voto na estimulada, seguida por Aécio Neves (PSDB) e Domingos Sávio (PL), ambos com 14%. Carlos Viana (PSD) vem logo atrás, com 13%. O levantamento, feito entre 3 e 7 de setembro, ouviu 2.000 eleitores e tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos (registro TSE MG-00998/2026).
Do ponto de vista político, os números reforçam que a disputa em Minas segue fragmentada e competitiva. A vantagem de Marília é relevante em termos de intenção direta, mas não é folgada: com margem de erro, ela pode ser alcançada por concorrentes do centro-direita. Mais importante, a soma de indecisos (8%) e brancos/nulos (6%) representa fatia suficiente para alterar o quadro até outubro. Em cenário de duas vagas, a dinâmica do primeiro e do segundo voto tende a ser determinante para a composição final — e a pesquisa mostra diferenças importantes entre essas escolhas.
Separando os votos, Marília amplia a liderança no primeiro voto, com 28%, o que indica força como escolha prioritária entre eleitores que já definiram o nome preferido. Já no segundo voto, o mapa muda: Marília e Domingos aparecem empatados, com 15% cada, enquanto Aécio marca 13% e Carlos Viana 12%. Esse efeito revela que transferências entre candidatos e acordos de campanha podem redesenhar a disputa: quem conseguir ser a segunda opção de eleitores de outras candidaturas tende a ganhar vantagem competitiva na disputa pelas duas vagas.
Para a centro-direita e rivais do PT, o resultado é um aviso claro: a dispersão de votos entre Aécio, Domingos, Carlos Viana e Marcelo Aro (9%) fragiliza a capacidade de emplacar duas cadeiras sem algum grau de consolidação ou acordo eleitoral. A presença de candidaturas com 6% (Áurea Carolina e Marco Antônio Superman) e a lista de nomes com 1% indicam pulverização que, em ambiente de dois votos, pode favorecer tanto o puxamento de votos quanto a manutenção do status quo, dependendo da estratégia de cada bloco.
Na avaliação estratégica, a pesquisa acende alerta para candidaturas que dependem de transferência de votos e para campanhas que ainda não consolidaram suas bases. A margem de erro de dois pontos aconselha cautela na leitura das posições exatas, mas não apaga a mensagem política: Marília aparece em posição confortável para buscar uma das vagas; a briga pela segunda cadeira segue aberta e promete pressão sobre lideranças partidárias para negociações e ajustes táticos até outubro. Em suma, o levantamento mostra um retrato do momento — competitivo, fragmentado e sujeito a mudanças conforme as campanhas avançarem.