Às vésperas da convenção nacional do PL que deve formalizar a candidatura de Flávio Bolsonaro, o senador e a ex-primeira-dama anunciaram uma reaproximação pública. A movimentação, construída nos bastidores segundo aliados, tem caráter estratégico: evitar fissuras internas e projetar unidade num momento em que o núcleo político enfrenta desgaste.

O gesto público começou com um vídeo de Flávio nas redes em que ele pede desculpas por episódios que causaram desconforto e faz um apelo para que Michelle retome papel ativo, especialmente no PL Mulher. O senador buscou, na mensagem, tirar combustível da oposição e reforçar a necessidade de deixar diferenças pessoais de lado para concentrar forças na disputa nacional.

Michelle respondeu também por vídeo e disse ter recebido o pedido de desculpas 'com paz', aceitando o gesto e ressaltando que o projeto coletivo deve ter prioridade sobre atritos. A reconciliação contou com mediação da senadora Damares Alves e da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, segundo relatos. Ainda assim, Michelle não deve participar da convenção em São Paulo e permanecerá em Brasília para acompanhar Jair Bolsonaro.

Aliados classificam o entendimento como urgente diante dos sinais de desgaste. No mesmo período, Flávio passou a ser alvo de investigação no Supremo no caso chamado Master e enfrentou repercussões pela reunião com embaixadores que suscitou dúvidas sobre as urnas eletrônicas. A reconciliação pública busca reduzir material político disponível aos adversários e preservar a coesão antes da oficialização da candidatura. Resta a pergunta política central: se o gesto será suficiente para neutralizar o efeito das investigações e das controvérsias sobre a capacidade do grupo de manter uma frente unida nas semanas decisivas que vêm pela frente.