A senadora Damares Alves anunciou a reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o enteado Flávio Bolsonaro como um acordo costurado nas semanas anteriores à convenção nacional do PL. Segundo Damares, o entendimento tinha caráter estratégico: reduzir a divisão pública dentro do grupo antes da oficialização da candidatura presidencial de Flávio, prevista para sábado em São Paulo.
Michelle publicou um vídeo em que confirma ter aceitado um pedido de desculpas e agradece a mediação — segundo a senadora, articulada também pela governadora do DF, Celina Leão. Apesar do gesto, a ex-primeira-dama não deve viajar para a convenção paulista: permanecerá em Brasília para acompanhar a recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pela avaliação de aliados, a ausência não configura, no momento, ruptura política, e há expectativa de que ela participe de um ato local e suba ao palanque com Flávio na capital.
A necessidade da reaproximação decorre do desgaste gerado pela crise entre madrasta e enteado: Michelle havia afirmado ter sido “maltratada” e “humilhada” por Flávio, interrompendo contato desde o fim de 2025; deixou a liderança do PL Mulher, lançou o movimento “Imparáveis” e sinalizou ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, resistência a engajar na campanha. Esses desdobramentos criaram risco concreto de fragmentação do eleitorado e de dificuldade de mobilização.
Politicamente, o acordo compra um fim de semana sem imagens de divisão e reduz o custo imediato de imprensa negativa, mas não apaga feridas. A ausência de Michelle em São Paulo expõe limites práticos da reconciliação: cuidados pessoais e desconfianças internas podem restringir a capacidade de o grupo apresentar coesão plena. Em suma, o gesto resolve um problema tático para a convenção, mas deixa aberto o desafio de transformar entendimento de ocasião em apoio efetivo na campanha.