A reconciliação pública entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro é percebida de forma majoritariamente positiva pela população, segundo levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quarta. Para 59% dos entrevistados, o “cessar-fogo” dentro da família política foi algo bom; 29% viram o gesto como negativo. O resultado sinaliza que a recomposição de laços no entorno do ex-presidente tem ressonância favorável entre eleitores, um fator relevante às vésperas da convenção nacional do PL.
O impacto direto do apoio de Michelle à campanha de Flávio aparece em avanço nas intenções: 46% dizem que o endosso aumenta as chances do senador, ante 38% no mês anterior. A parcela que acredita não haver efeito caiu levemente, de 47% para 45%. Em termos políticos, os números indicam ganho simbólico e mobilização de imagem — não uma conversão automática de votos —, mas reforçam a importância de alinhamento interno no bloco bolsonarista para tentar ampliar competitividade em 2026.
Outro ponto medido pela pesquisa foi a controvérsia sobre as restrições de visitas de Flávio ao pai, Jair Bolsonaro. A sociedade aparece dividida, mas com leve inclinação contra as limitações: 52% consideram errada a proibição, enquanto 41% aprovam a medida. Esse resultado revela tensão pública sobre o assunto e sugere que ações disciplinares dentro da família política podem ter custo de imagem, sobretudo entre eleitores favoráveis à manutenção de laços pessoais e políticos.
A sondagem também avaliou repercussões de episódios recentes: 68% dos ouvidos afirmaram não ter conhecimento do encontro de Flávio com embaixadores sobre suspeitas relativas às urnas eletrônicas; 32% souberam do encontro. Entre esses, a maioria (54%) respondeu que o episódio não altera sua intenção de voto, 26% disseram que diminui a chance de votar no senador e 15% acreditam que aumenta. Realizada entre 31 de julho e 3 de agosto com 2.004 entrevistas domiciliares (margem de erro de dois pontos), a pesquisa oferece um retrato do momento, útil para calibrar estratégias, mas sem caráter definitivo sobre cenários eleitorais.