O Congresso entrou em recesso entre 18 e 31 de julho sem concluir votações que marcaram o debate do primeiro semestre. Projetos como a tipificação da misoginia, a proposta que extingue a escala 6x1 e a PEC da Segurança ficam para a volta dos trabalhos; também foram adiadas matérias sobre regulamentação da inteligência artificial e o marco dos minerais estratégicos. A paralisação ocorre num cenário de pauta congestionada e de intensificação das articulações para 2026, que já orientam escolhas de agenda na Câmara e no Senado.

Para a base governista, a ausência de votação da tipificação da misoginia foi o revés mais visível. A vice-líder do PT na Câmara insistiu que havia compromisso de votar a proposta no período e defendeu a retomada do tema no esforço concentrado de agosto, preferencialmente sem alterações em relação ao texto aprovado pelo Senado, de modo a permitir sanção presidencial em tempo eleitoral. A mesma bancada também critica a demora para pautar o fim da jornada 6x1 no Senado, aponta pressão sindical e cobrança pela tramitação imediata.

A oposição, por sua vez, interpreta os adiamentos como consequência direta do calendário eleitoral e de um recuo diante do impacto fiscal potencial de algumas propostas. O líder oposicionista no Senado argumenta que medidas com custo relevante são evitadas neste ano por temerem efeitos eleitorais e orçamentários, e aposta que o Congresso terminará priorizando a preparação do orçamento de 2027 e ajustes que o novo governo terá de fazer.

O resultado é uma disputa explícita por prioridades: além de postergar decisões de alto teor simbólico e social, o recesso transfere pressões para as lideranças partidárias que terão de negociar espaço em agosto e setembro. Para o governo, a indefinição aumenta o custo político de promessas não cumpridas; para a oposição, abre caminho para transformar narrativa fiscal em critério de votação. Em ambos os lados, a janela reduzida para votar matérias sensíveis tende a amplificar a disputa por calendário e por quem define o ritmo da pauta.