A Record anunciou o cancelamento do debate presidencial marcado para 27 de setembro depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) comunicaram que não participariam. Segundo a emissora, a ausência dos dois candidatos que reúnem a maior parcela das intenções de voto tornaria o encontro incapaz de cumprir seu objetivo principal: confrontar, às vésperas do primeiro turno, as propostas em disputa.

É o segundo cancelamento de debate em TV aberta provocado pela mesma razão. No início de setembro, um encontro organizado por um consórcio de emissoras também foi suspenso depois que Lula e Flávio Bolsonaro confirmaram que não iriam. Para a imprensa e para o eleitor, a repetição do gesto reduz as oportunidades de confronto direto e limita a exposição pública de propostas num momento decisivo da corrida eleitoral.

Do ponto de vista político, o veto à participação em debates acende alerta sobre a estratégia das campanhas e o grau de disposição dos líderes em submeter propostas ao escrutínio público. A decisão favorece formatos em que os candidatos controlam mais o ambiente (entrevistas próprias, coletivas selecionadas), ao mesmo tempo em que complica a narrativa de transparência e de prestação de contas diante do eleitorado.

A Record informou ainda que planeja realizar novo debate em 11 de outubro, caso haja segundo turno. O episódio concentra atenção sobre o papel das emissoras na agenda eleitoral e sobre os custos políticos do desgaste por ausência em confrontos públicos: para o eleitor, menos debates significam menos elementos para comparar propostas; para as campanhas, cada recuo gera sinal político e repercussão na mídia.