O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta 1,97 milhão de eleitores com deficiência aptos a votar nas eleições de outubro, alta de 42% sobre 2022. Para acompanhar o aumento, a Justiça Eleitoral elevou de 156.296 para 220.577 o número de seções principais com acessibilidade — um avanço estrutural que altera a logística do pleito e amplia as expectativas sobre o dia da votação.
A expansão das seções acessíveis e dos recursos tecnológicos tende a reduzir barreiras no momento do voto, mas cria exigências operacionais não menos relevantes: a velocidade de implementação, a distribuição desses locais e o preparo de mesários diretamente influenciam se a medida se converterá em efetiva autonomia no dia da eleição. Em termos práticos, a proporção entre eleitores com deficiência e seções adaptadas sugere que a oferta de pontos acessíveis avançou, mas dependerá da correta operação local.
As urnas eletrônicas trazem ferramentas pensadas para autonomia: sistema de áudio acionado por fone descartável, identificação tátil da tecla 5 como referência, teclado com marcação em Braille e leitura em áudio dos números e candidaturas. Também há recurso visual com intérprete de Libras nas telas para apoio a eleitores surdos. A aposentada que perdeu a visão há 14 anos disse, em visita ao TRE-RJ, que continuar votando é um compromisso cívico e reconheceu a utilidade dos recursos que conheceu durante a demonstração.
O TRE-RJ destacou que o áudio da urna é habilitado automaticamente quando a condição está registrada no cadastro; caso contrário, basta informar o mesário para que o recurso seja liberado e o fone fornecido. A Justiça Eleitoral também prevê prioridade de atendimento para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, permissão para acompanhante ou atendente, possibilidade de auxílio registrado em ata, uso de Braille ou alfabeto comum para assinatura e o ingresso de cão-guia nas seções.
Do ponto de vista político e administrativo, a ampliação é positiva: reduz argumentos sobre exclusão e melhora a imagem institucional da Justiça Eleitoral. Mas a eficácia dependerá de detalhes operacionais — estoque e distribuição de fones descartáveis, formação de mesários, sinalização e campanhas de informação para que eleitores conheçam seus direitos. Falhas nesses pontos não apenas prejudicam eleitores, como também podem gerar desgaste público e cobranças sobre a capacidade do sistema em garantir um voto verdadeiramente autônomo.