A direção nacional da REDE Sustentabilidade divulgou nota nesta terça-feira afirmando ter recebido com surpresa e insatisfação o comunicado, divulgado por Marina Silva no último sábado (4/4), em que a ex-ministra anuncia a permanência na legenda. A reação pública expõe uma disputa interna que até então vinha sendo tratada nos bastidores.

Segundo a sigla, as especulações sobre uma possível saída partiram do entorno de Marina e não do diretório. A REDE alega que houve recusa ao diálogo por parte da liderança e que reivindicações pessoais não podem paralisar decisões coletivas — argumento usado para rebater acusações de autoritarismo feitas por setores próximos à ex-ministra.

A direção da REDE afirma que recebeu a nota de Marina com surpresa e reprova a recusa ao diálogo com o diretório.

A nota também relembra episódios anteriores em que a relação entre Marina e a agremiação esteve tensa, citando posicionamentos políticos que incomodaram parte das bases, como o apoio a Aécio Neves em 2014, a defesa do impeachment de Dilma Rousseff e a concordância com a intervenção federal no Rio. A direção usa esses exemplos para dizer que divergências foram geridas sem punições.

No centro da discórdia está a avaliação sobre consequências eleitorais e sobre o comando partidário: a REDE afirma que houve tentativa de esvaziamento eleitoral que não prosperou com a chegada de novas lideranças, como Luizianne Lins e André Janones. O embate público aumenta o risco de fragmentação num momento em que partidos menores buscam presença eleitoral e visibilidade.

Marina, por sua vez, justificou a decisão como necessária para preservar princípios e valores que ela identifica com a legenda, além de reforçar apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e à candidatura de Fernando Haddad em São Paulo. A movimentação deixa claro que, mesmo sem expulsão formal, a convivência interna exigirá negociações e ajustes para evitar desgaste institucional.

Marina diz que permanecer na legenda é uma escolha para defender princípios do partido e apoiar Lula e a estratégia em São Paulo.