O diretório paulista da Rede Sustentabilidade oficializou, em nota publicada nas redes em 21/4, apoio à pré-candidatura de Marina Silva ao Senado e à postulação de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. O comunicado também reafirmou compromisso com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi assinado apenas pela Executiva Estadual, sem menção ao diretório nacional.

O movimento ocorre em meio a uma disputa aberta na legenda: Marina, fundadora da Rede, vive tensão com a direção nacional comandada por Heloísa Helena. Nos últimos meses a ex-ministra chegou a avaliar a saída da sigla e conversou com integrantes do PT e do PSOL antes de decidir permanecer. A Executiva Nacional reagiu ao anúncio estadual com "indignação e perplexidade", acusando Marina de falta de diálogo com a liderança partidária.

Politicamente, a posição do diretório paulista tem efeito duplo. Para a campanha de Haddad em São Paulo é um reforço simbólico relevante — especialmente por vincular o nome de Marina a um palanque que busca consolidar apoio pró-Lula no estado —, mas, ao mesmo tempo, expõe e aprofunda a divisão interna da Rede. A publicação assinada apenas pelo estado sinaliza autonomia e fricção: ambiente propício a desgaste da direção nacional e a defensores de Marina que agora expressam sua estratégia de forma pública.

A sequência lógica é uma pressão adicional sobre a Executiva Nacional para conter o racha sem perder apoio regional valioso. A disputa interna também pode complicar negociações de alianças e a coordenação eleitoral para 2026, quando a unidade entre aliados será cobrada. O episódio deixa a legenda em posição delicada: reforça candidaturas locais, mas mostra um custo político e institucional que terá de ser administrado nos próximos meses.