O relatório da PEC que altera a escala 6 x 1, apresentado pelo deputado Léo Prates, foi lido na comissão e teve pedido de vista, mas o desenho acordado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, empurra a proposta para votação no Plenário já esta semana, com expectativa de apreciação na quinta-feira. A proposta prevê redução gradual da jornada — uma queda inicial de duas horas em até 60 dias e transição para 40 horas em 12 meses — e mantém os salários, segundo o texto apresentado.
Politicamente, o acordo é uma vitória simbólica para o governo e para a bancada trabalhista: entrega promessa concreta de aumento de folgas e redução da jornada, itens com apelo eleitoral. Ao mesmo tempo, a opção por uma tramitação acelerada expõe o Executivo e a base a crítica por ”açodamento”, como já registraram grupos empresariais, que pedem mais previsibilidade e segurança jurídica antes de mudanças de magnitude semelhante.
Do ponto de vista econômico, as principais federações industriais apontam risco real de aumento de custos e repasse para preços. O relatório endossa que setores com necessidades operacionais específicas terão regulamentação posterior, o que adia detalhamento técnico essencial para fábricas e serviços. O presidente da Câmara também mencionou regras específicas para MEI, servidores e prestadores de serviço, bem como a intenção de ampliar limites de contratação formal, o que abre nova frente de negociação.
No tabuleiro institucional, a aprovação na Câmara desloca a decisão para o Senado, e o ministro do Trabalho pediu celeridade aos senadores após eventual aprovação. Mesmo com o caráter social da proposta, a combinação entre urgência de tramitação, críticas do setor produtivo e a necessidade de regulamentação posterior coloca sobre o governo a tarefa de transformar um ganho político imediato em medida operacionalmente viável — sem gerar choque de custos ou desgaste adicional na economia.