O Regimento Interno do Senado, regulamentado pelo Ato da Mesa nº 1 de 2010, impede que a indicação rejeitada do advogado‑geral da União, Jorge Messias, seja reapresentada ainda em 2026. O plenário já havia recusado a nomeação, com apenas 34 votos favoráveis, o que barrou qualquer tentativa de novo encaminhamento na mesma sessão legislativa.

Na prática, a vedação desloca a próxima possibilidade para fevereiro de 2027, quando começa nova sessão legislativa — hipótese que depende, inevitavelmente, de uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para que o Planalto possa novamente indicar o titular da AGU para a vaga deixada por Roberto Barroso, em outubro de 2025. Até lá, a cadeira no STF pode permanecer vaga por tempo indeterminado.

Nos bastidores, aliados atribuíram a derrota a uma articulação capitaneada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o próprio presidente tem tratado a rejeição como demonstração de força do comando da Casa, não de um problema técnico do indicado. Avaliações internas do Judiciário e da PGR seguem indicando que Messias tem qualificações, mas reconhecem falhas na articulação política do governo durante a tramitação.

A decisão do Senado acende alerta para o Planalto: além de ampliar desgaste político, complica a narrativa oficial e força uma revisão de estratégia sobre a composição da Corte. Com a regra regimentada barrando nova tentativa em 2026, o governo terá de decidir se muda o nome, busca costurar apoios mais amplos ou tolera a manutenção da vaga — opções que trazem custo político e institucional.