O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) foi eleito presidente da Comissão Mista que analisará a medida provisória que zerou a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% sobre remessas postais de até US$ 50. Lopes indicou a senadora Leila Barros (PDT-DF) como relatora e convocou sessão para a próxima segunda-feira (31), quando a parlamentar deverá apresentar o relatório.
A tramitação tem calendário apertado: para garantir que a tributação permaneça zerada, a MP precisa ser aprovada na comissão e nos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro. Há um acordo para votação na terça-feira (1º/9) fechado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes das duas Casas, Hugo Motta e Davi Alcolumbre. O tema ganhou prioridade no governo devido ao apelo popular.
A escolha do presidente da comissão e da relatora repõe no centro da cena a gestão da pauta pelo Executivo e sua base parlamentar. Leila e Lopes informaram que se reunirão com setores envolvidos e com o governo neste fim de semana — sinais de que o texto ainda poderá sofrer ajustes até o voto final. Pesquisa de março da Atlas/Bloomberg citada como referência aponta que 62% dos entrevistados consideraram a taxação um erro do governo, realçando o custo político da questão.
Do ponto de vista institucional, a disputa traduz um teste de capacidade de articulação: aprovar a MP antes do prazo significa entregar um ganho popular à base; falhar implicará cobrança pública e desgaste político no pré-campo eleitoral. A comissão terá poucos dias para transformar negociações em voto consolidado, sob o escrutínio de opositores e setores impactados pela medida.