A última pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, confirma que a rejeição a dois dos prováveis candidatos à Presidência permanece elevada e praticamente empatada. Segundo o levantamento contratado pelo O Globo e pela TV Globo, a parcela que diz não votar de jeito nenhum em Luiz Inácio Lula da Silva caiu de 55% para 54% em uma semana; a rejeição a Flávio Bolsonaro se manteve em 56%. Na rodada anterior, do dia 21, os índices foram 55% para Lula e 56% para Flávio, e o empate técnico decorre da margem de erro de dois pontos percentuais.

Realizada entre 24 e 27 de setembro com 2.004 entrevistas (a partir de 16 anos) e registrada no TSE sob o número BR-06520/2026, a pesquisa é a primeira divulgada após a decisão do governo de proibir as bets, anunciada na sexta-feira, 25. O levantamento traz também registros de segundo turno, em que Quaest aponta 42% para Lula e 42% para Flávio, reforçando a imagem de um duelo parelho entre dois polos com alto índice de rejeição.

Do ponto de vista político, o recuo de um ponto percentual na rejeição a Lula é insuficiente para alterar o quadro: a variação está dentro da margem de erro e, portanto, pode não representar tendência consolidada. Para o Planalto, o resultado não dá palco para narrativas de recuperação imediata e mantém a necessidade de esforços táticos para reduzir a rejeição persistente — sobretudo porque índices elevados complicam a capacidade de transição no eleitorado indeciso e ampliam o risco em cenários decisivos.

No caso de Flávio Bolsonaro, a manutenção da rejeição em patamar mais alto que o de Lula consolida um problema estruturado para o lado bolsonarista, já sinalizado por outras sondagens recentes que registraram perda de apoio entre eleitorado de direita. Para ambos os campos, os números reforçam a polarização: grande parte do eleitorado está fechada em posições contrárias, o que torna as margens de mobilização e abstencionismo fatores centrais para o desfecho eleitoral.

A pesquisa tem utilidade prática imediata para estratégias eleitorais: indica que movimentos pontuais de curto prazo dificilmente reverterão a percepção negativa de parcela significativa do eleitorado. Analistas e campanhas terão nas próximas semanas a tarefa de observar tendências, testar efeitos das medidas anunciadas pelo governo e avaliar se a pequena oscilação em Lula é continuidade de melhora ou mera flutuação estatística.