O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou nesta terça-feira (14/4) o relatório final que pede o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O documento será submetido à votação no Senado e concentra as principais conclusões da comissão instalada em novembro de 2025.
Segundo o texto, os quatro teriam adotado "condutas consideradas incompatíveis com o exercício de suas funções" em episódios que, segundo a CPI, podem ter prejudicado investigações ou gerado conflito de interesses. O relatório trata separadamente o caso conhecido como Master — com movimentações financeiras bilionárias e uso de fintechs, criptomoedas e fundos para ocultação de recursos — e encaminha a apuração de crimes comuns à Polícia Federal. Em paralelo, o documento traça diagnóstico amplo da infiltração do crime organizado no país e lista medidas como aumento de penas para lavagem, ferramentas mais eficazes de bloqueio de ativos, integração de inteligência e a criação de um Ministério da Segurança Pública.
A singularidade do relatório está no foco restrito de pedidos de indiciamento às quatro autoridades, enquanto amplia recomendações estruturais para segurança. Politicamente, a iniciativa tende a acirrar o confronto entre Legislativo e Judiciário e a pressionar o PGR, ao mesmo tempo em que força o debate público sobre respostas ao avanço de organizações criminosas. O relatório segue agora ao plenário e, se aprovado, será encaminhado às autoridades competentes, potencialmente desencadeando novos capítulos institucionais e jurídicos sobre a capacidade do Estado de reagir ao crime organizado.