Com 28 assinaturas reunidas para pedir a prorrogação por 60 dias, o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que o colegiado ainda precisa analisar um volume expressivo de dados de quebras de sigilo antes de apresentar conclusões. O pedido será submetido ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e chega quando o prazo atual da comissão expira em 14 de abril.
Vieira destacou que as investigações mostram sinais de infiltração de facções em setores estratégicos da economia, incluindo o mercado financeiro e o setor de combustíveis, além de infiltração no poder público. Segundo o relator, a lavagem de dinheiro deixou métodos rudimentares para migrar a instrumentos sofisticados, como fundos de investimento e criptomoedas, o que exige novas respostas da fiscalização.
Ainda há um grande volume de quebras de sigilo a ser cruzado para dar consistência às conclusões da CPI.
No calendário apertado da CPI, estão previstas ao menos quatro oitivas em poucos dias. Entre as testemunhas consideradas decisivas estão dirigentes do Banco Central — mencionados pelo relator como Campos Neto e Galípolo — e governadores de estados com relatos de atuação das organizações. O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, obteve no STF, por decisão do ministro André Mendonça, o direito de não comparecer, mas a comissão manteve a audiência na agenda.
O próprio relator reconhece resistências às apurações. Embora haja algum desconforto no Congresso, afirmou que as maiores dificuldades têm vindo do Judiciário, à medida que a CPI avança sobre atores e setores sensíveis. Esse enquadramento indica não apenas entraves processuais, mas também um ambiente onde investigar figuras com poder político e econômico provoca reação institucional.
A prorrogação pedida por Vieira tem consequência prática: sem tempo adicional, o relatório final pode ficar incompleto e perder capacidade de recomendar medidas eficazes de prevenção e repressão à lavagem sofisticada. Além do aspecto técnico, há custo político: a decisão de conceder ou negar a extensão medirá a disposição do Senado em aprofundar investigações que tocam em interesses relevantes para economias e para a governança pública.
A lavagem de dinheiro já migrou para mecanismos sofisticados — fundos e criptomoedas exigem reforço na fiscalização.