O relator do caso no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), subprocurador-geral Francisco Sanseverino, votou nesta sexta-feira contra a instauração de investigação sobre a atuação do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, nas apurações relacionadas ao Banco Master. A notícia de fato foi apresentada pelo partido Novo com base em mensagens atribuídas ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro nas quais o nome do PGR aparece citado; o colegiado ainda analisa o tema.

Na fundamentação, Sanseverino sustentou que as comunicações disponíveis não demonstram contato direto entre Vorcaro e Gonet, mas apenas referências feitas ao nome do PGR em mensagens trocadas entre Vorcaro e seu advogado. O relator também apontou que não foram encontrados registros de contato identificados como 'Gonet' no celular de Vorcaro e advertiu contra leitura isolada ou descontextualizada do material, defendendo que faltam elementos mínimos de materialidade e autoria para abrir investigação criminal.

Além de rejeitar a abertura de investigação, o relator votou contra o afastamento de Gonet das apurações sobre o Master. Sanseverino afirmou que questões relativas a impedimento ou suspeição do PGR cabem ao Supremo Tribunal Federal, onde tramitam processos conectados, e ressaltou a ausência de vínculo familiar que justificasse impedimento. Ele citou, ainda, medidas do gabinete do PGR destinadas a facilitar as investigações e registrou a negativa de qualquer tentativa de interferência por parte de Gonet.

Politicamente, o voto do relator enfraquece, por ora, o pedido do Novo e reduz as chances de que o CSMPF abra uma apuração interna sem provas suplementares. Ao deslocar a discussão sobre impedimento para o STF, a decisão também transforma o caso em uma disputa processual que depende de novos elementos nos autos ou de iniciativa judicial. O caso permanece sob escrutínio e pode ser reaberto se surgirem evidências adicionais.