A Polícia Federal informou ao site Aos Fatos que não produziu o relatório que circulou nas redes e que chegou a ser republicado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A peça — compartilhada nos stories do parlamentar com emoji de coração e posteriormente apagada — afirmava não ter encontrado indícios de crime nas conversas entre Nikolas e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que coincidia com a divulgação de áudios e mensagens pelo ICL Notícias.

O material falsificado apresenta série de inconsistências: reprodução incorreta de mensagens com datas diferentes das reportagens, salto irregular na numeração de tópicos (do item 7 para o 7.3), erros de português como “contato salvado”, uso de emojis e um brasão distinto do símbolo oficial da PF. A imagem também traz a data de 18 de novembro de 2025 — dia apontado no próprio material como o da prisão de Vorcaro — e foi identificada por ferramenta da OpenAI como contendo SynthID, marca de geração ou edição por sistemas de inteligência artificial.

A identificação do SynthID não prova, por si só, a autoria do documento, mas, combinada às falhas gráficas e cronológicas, reforça a conclusão de que o arquivo não é um relatório oficial da Polícia Federal. A corporação negou ter produzido tanto a imagem quanto o texto apresentados como peça de investigação, o que torna insustentável a tentativa de usar o arquivo como elemento exculpatório para o deputado.

Politicamente, o episódio aumenta o custo da defesa pública de Nikolas: a republicação e remoção do material sugerem tentativa rápida de controlar narrativa que, ao contrário, expõe fragilidade e risco reputacional. Em ano eleitoral, a circulação de relatórios forjados com marcas de IA eleva o debate sobre desinformação e impõe pressão por transparência — não apenas sobre o parlamentar, mas sobre aliados que eventualmente reforçarem versões não verificadas.