Em 15 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes autorizou que o ex-presidente Jair Bolsonaro participasse do programa de remição de pena por leitura. Pela regra, cada livro lido e resenhado permite abater quatro dias da pena. Bolsonaro cumpre a condenação de 27 anos e três meses por coordenação de tentativa de golpe de Estado.

Desde a autorização, contudo, os relatórios semanais que a Polícia Militar do Distrito Federal envia ao Supremo indicam ausência de registros na área destinada a leituras. Doze documentos já foram encaminhados e, em todos eles, consta que não houve leitura registrada — informação apurada por veículos que acompanham o caso.

Enquanto isso, outros condenados ligados ao episódio eleitoral têm utilizado o mecanismo: o ex-ministro Anderson Torres, por exemplo, consta entre os que fizeram leituras e registraram resenhas. Bolsonaro, por sua vez, já afirmou publicamente no passado que não costuma ler livros por falta de tempo e que se informa por redes de mensagens, posição que se mantém agora no cárcere.

Além do efeito concreto — a impossibilidade de abatimento de dias de prisão por obras não lidas —, a ausência de participação no programa reforça um posicionamento antigo do ex-presidente e elimina uma das poucas vias administrativas para reduzir a pena. A escolha tem impacto prático sobre a duração do cumprimento e também repercute politicamente, ao colocar lado a lado postura e oportunidade.