O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan Calheiros (MDB-AL), voltou a apontar nesta terça-feira que o Banco Central teria desempenhado papel ativo no processo de expansão do Banco Master. A declaração foi feita no início da audiência com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e remeteu a uma sessão anterior, em maio, quando Renan disse ter questionado diretamente o chefe da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, sobre o tema.
Renan afirmou ter apresentado dados — que, segundo ele, não foram reconhecidos por Galípolo — e detalhou um suposto pedido do Banco Central ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no montante de R$11 bilhões para socorrer o Master. O senador acrescentou que, desse pedido, R$6,7 bilhões teriam sido liberados. As informações integram a agenda da CAE sobre operações envolvendo BRB e Banco Master, que ganharam atenção parlamentar e midiática nas últimas semanas.
A acusação, se confirmada, levanta questões centrais sobre o papel do BC como regulador: até que ponto houve intervenção que fugiu à supervisão prudencial ou a favors a uma instituição específica? A repetida negativa do presidente do BC, conforme relatado por Renan, alimenta suspeitas de falta de transparência e amplia desgaste institucional. Para a comissão, os fatos demandam documentação e explicações detalhadas, sob risco de ampliar a pressão política sobre a autoridade monetária e seu comando.
No plano prático, a denúncia coloca o Banco Central em situação delicada perante o Congresso e o mercado. Além do impacto reputacional sobre Galípolo, abre espaço para medidas de fiscalização e eventuais convocações suplementares na CAE. Políticos e agentes econômicos vão acompanhar se haverá comprovação documental das transferências ao FGC e quais efeitos isso teria sobre a proteção de depositantes e sobre a confiança no sistema financeiro. São alegações graves que exigem investigação rigorosa e resposta pública clara.