O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou em vídeo que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro “defende interesses dos Estados Unidos no Brasil”. Na publicação, Renan elogiou o Pix como uma conquista nacional e vinculou críticas de Eduardo a uma aproximação com a política externa americana, argumento que usa para questionar a independência do projeto político da família Bolsonaro.
Renan também declarou que Flávio Bolsonaro — cotado para voltar à disputa presidencial — teria disposição de “entregar tudo” aos EUA, e atacou o presidente Lula ao dizer que este entregaria o país a um político e a um juiz que recebem supersalário. O episódio retoma episódios recentes que alimentam o argumento: em julho de 2025 houve a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelos EUA, medida que Eduardo disse ter pressionado por meio de lobby e que chegou a celebrar nas redes sociais. Imagens do ex-deputado usando um boné da campanha de Donald Trump também foram relembradas na repercussão.
A tensão aumentou depois de um comentário de Eduardo que comparou o Pix ao Zelle, sistema de pagamentos americano, e sugeriu que haveria espaço para negociação entre os países. A fala, que deu margem a interpretações sobre eventual substituição do Pix, levou a uma retratação pública de Eduardo, que afirmou que “jamais disse” que o sistema brasileiro seria trocado, e voltou a atacar o governo Lula em tom de confrontação.
Politicamente, a acusação de Renan transforma a discussão sobre política externa em vetor de disputa interna no campo bolsonarista e amplia o espaço do debate sobre soberania tecnológica e autonomia econômica. Para a campanha do PL, as alegações podem forçar respostas públicas e gerar desgaste na reta de preparação para 2026: a narrativa de proximidade com Washington mobiliza aliados e críticos de forma diferente e tem o potencial de escorar críticas sobre alinhamento externo que podem repercutir junto a eleitores sensíveis à independência do país. A controvérsia deve permanecer no radar, exigindo clarificações que evitem custo político adicional às lideranças envolvidas.